Transição de carreira para desenvolvimento web: 2 anos depois

Dois anos atrás, eu decidi mergulhar de cabeça na transição de carreira para o desenvolvimento web. Hoje, olhando para trás, vejo que a jornada foi muito diferente do que eu imaginava. Se você está pensando em fazer o mesmo, ou se está no meio do processo e se sentindo perdido, este relato é para você.

O Ponto de Partida: Curiosidade Antiga e “Empregos para Pagar Aluguel”

Minha história com a web não começa há dois anos, mas há mais de uma década. Eu sempre fui curioso e cheguei a conhecer os cursos online do Guanabara de HTML e CSS. Por mais que fosse uma área que eu gostasse e tivesse muita curiosidade, parecia um mercado distante. Eu nem sabia ao certo onde procurar emprego nessa área.

A vida adulta cobra seu preço e, depois de muitos “empregos para pagar aluguel”, consegui fazer alguns cursos de design gráfico. Isso me levou ao meu primeiro emprego “fora do shopping” como social media. Era um começo, mas eu sentia que faltava algo.

A Grande Virada: O Investimento em UX/UI

Há exatos dois anos, decidi que era hora de me especializar. O mundo do design era vasto, e eu encontrei o UX/UI. Parecia a ponte perfeita. Paguei um curso caríssimo na EBAC (pelo menos, para mim, era bem caro na época).

Devo admitir: achei o curso muito bem-feito e completo. Todas as etapas do design de experiência me deixavam cada vez mais encantado. O curso tinha até uma consultora de carreira que me ajudou a entender melhor como deixar o LinkedIn mais profissional.

Mas uma preocupação interna me acompanhava: na minha região, eu sentia que as oportunidades apareciam muito para quem tem “QI” (o famoso “Quem Indica”). Eu sempre me dediquei ao design, mas nunca consegui sequer uma entrevista em uma agência. E as poucas que me chamavam queriam pagar um valor com o qual eu não conseguiria nem me manter.

O Choque de Realidade: Milhares de Habilidades e Nenhum “Sim”

Depois de alguns cursos de Web Design e o de UI Design, achei que estaria pronto. Acreditava que ia chover vagas, já que estava indo para uma área “ótima”, como todos diziam.

Mais uma vez, a realidade foi diferente.
Ao procurar vagas, me deparei com milhares de habilidades, nomes que eu não conhecia e muitas delas, pensando hoje, nem faziam sentido juntas num mesmo anúncio. Foram alguns “nãos” e, o que é pior, muitos currículos enviados e nenhuma resposta.

Eu estava cansado. “Vou deixar o designer gráfico para trás”, eu dizia. Estava farto de fazer posts para redes sociais que, claramente, não iam fazer diferença no final.

A Revelação: O Óbvio que Eu Não Enxergava

O que eu não enxergava era que o design, que eu tanto queria abandonar, ia me abrir portas.
Usar o design junto da programação seria o meu grande diferencial.

Às vezes, a gente está tão focado em aprender o que falta que esquece do que já sabe. Eu estava tentando ser “só mais um programador” e desperdiçando anos de experiência em design gráfico e UI, exatamente o que muitas empresas buscam em um desenvolvedor front-end.

A Realidade da Transição: Faculdade, Estágio e Contas a Pagar

Minha jornada tem um complicador que é a realidade de muitos: transicionar de carreira quando você não pode deixar de trabalhar para se dedicar. Você não pode viver de estágio ganhando R$ 600,00 quando tem contas para pagar.

E a faculdade? Muitas vezes, a faculdade é mais um papel. O ensino em programação é amplo demais e as grades dão apenas uma pincelada superficial. O resultado é que muitos profissionais se formam sem saber programar direito e, pior, sem entender o que realmente querem fazer no mercado.

Onde Estou Hoje: Entre Inseguranças e Conquistas

Hoje sigo firme nesse caminho. Já conquistei mais segurança técnica e clareza sobre o meu próprio tamanho. Sei o que domino, o que ainda estou aprendendo e o quanto essa área é imensa.

Ainda rolam inseguranças, claro. Às vezes dá medo de não estar evoluindo no ritmo certo ou de não saber o suficiente. Mas, diferente do começo, agora eu entendo que isso faz parte do processo.
Quanto mais estudo, mais percebo o quanto o desenvolvimento web é um universo gigante, e isso, ao invés de assustar, me motiva.

Tenho conhecimento e sei que há muitas vagas. Mas também percebo que as habilidades exigidas só crescem. É um mercado em constante transformação, e o segredo é se manter em movimento junto com ele.

Hoje, minha busca não é apenas por uma vaga, mas por oportunidades de me desenvolver, aprender e aplicar o que sei em projetos reais. Depois de muito estudo e ansiedade, entendi que o crescimento é constante e que cada etapa, por menor que pareça, faz parte da construção de uma carreira sólida.

A lição que fica, dois anos depois, é simples: não pare de aprender, mas também não desvalorize o quanto já evoluiu. O medo pode até continuar existindo, mas ele já não dita mais o caminho.